quarta-feira, 6 de julho de 2011

épico como o teu rosto - João Negreiros


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Céu de Quinta-feira

Se o Céu existe,
quero o meu feito de uma Quinta-feira,
mas não uma qualquer,
e sim, uma que seja véspera de feriado,
onde eu possa simplesmente enforcá-la sem mistério,
e com a menor das culpas e pudores.

Neste meu Céu,
cabem muitas coisas inúteis e simples.

Cabe acordar, e ver ao meu lado, inda dorminte,
um bem querer,
seja uma companheira,
ou um ente saído de mim.

Cabe acordar de mansinho, sem alarde,
pra qu'eu possa trazer-lhe um café e uma flor.

Cabe ainda ver o sorriso amassado,
a vergonha do hálito enquanto beijo,
-bom dia-
e afastar aquela mexa, que lhe cobre os olhos, ainda sorridentes.

Cabe abrir a porta e ver o gato sair, e o cão linguarudo,
que olhando de cima parece sorrir,
com sua calda a abanar, aclamando o dia.

Sentir na face e respirar, o ar fresco e ligeiramente gélido,
que na volta forma um vapor bonito de outono.

Cabe ainda escutar,
qualquer ente que pie e se assuste comigo,
ao colher lenha e gravetos para o fogão.

Se justo for este céu comigo,
fitarei com olhar terno e bento,
meu rebento ainda remelento,
com juras de pandorga ao dia.

Cabe ainda,
após fazer crepitar a lenha,
voltar a chafurdar os lençóis e dormitar,
pra acordar novamente,
com ares para outra boa vinda ao dia.

Neste reacordar, que seja com o rebento,
a reclamar as juras de pandorga,
que faremos com as cores mais belas e vivas,
que uma pipa pode ter.

Que o verde abaixo da varanda, seja ainda forte.
E que as flores me inspirem.

Que eu e minha amada, nos entreolhemos,
ela de mãos justapostas sorvendo o líquido quente,
e olhando pra gente, entre varetas e cores,
e que neste, se diga tudo e nada,
por falta e necessidade.

Cabe ainda, nesta Quinta-feira,
que sentemos ao chão e olhemos no céu a pandorga enfeitada,
sendo empinada,
por um ramo forte que envergue,
sem mão nem nada.

Ah. Nesta Quinta-feira,
cabem tantas coisas inúteis...

...pisar na terra,
colher coisas,
fazer mandalas,
cozer pinhão,
fazer café e pão,
afagar o cão e correr com o gato,
olhar pro mato,
sentir tesão,
pintar uma quadro,
dedilhar um violão,
fumar tabaco,
jogar xadrez,
acender uma vela,
fazer cerveja,
tomar um vinho,
escutar boa música,
dançar juntinho,
beijar,
olhar,
sentir,
viver de verdade.

Se o Céu existe, quando eu me for,
quero o meu feito de uma Quinta-feira,
mas não uma qualquer,
um Quinta-feira Eterna em véspera de feriado.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Paixão adentro

Só não me apaixonei por falta de espaço,
contudo abrirei uma fenda,
uma brecha,
um ferimento que não seja nem largo nem fundo;
e então caberá!

Desfalecido de ermos

Hoje, desfaleci de ermos.
Quais razões poem-me a esmos?
Se de esmos são feitos os ermos,
de desfalecimentos, razões...
e o hoje, de feitos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ambidestro

Em minhas mãos, lombas de veias me pulsam;

em minhas palmas, sulcos e veios me explicam.

sábado, 30 de abril de 2011

tempo passado

ao longo do tempo passado
quando esteve triste
quando esteve inseguro
quando esteve sem saída
quando sentia desamparo
quando sentia rancor
quando sentia ...
quando deparava com estas situações
será que olhava para a raiz destes sentimentos?
consta-se que
ora tentava resolver ocupando em fazer isso/aquilo
ora conformava com teoria e explicações
ora colocava culpa na época
ora responsabilizava a criação recebida
sempre tentando ajustar a lógica na superfície
nunca olhando para si
nunca olhando para o que está por trás

Por Alam Kenji Minowa

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ser Tecido

Há anos padeço resignado,
também de mim.

Levando pancadas com bordão,
e de todos os lados.

Parei a pensar as metafísicas das pancadas,
e dos bordões,
assumi todas,
e cuspi nenhumas,

Bordão é instrumento teso, que sustenta,
faz valer de pé, àqueles que querem seus atos “justos-ficados”,
contudo, não deixa de ser um apoio em pau,
e pau...
...ou quebra ou apodrece,
assim como, assumir pseudo-metafísicas alheias.

Há ainda...
(pelo menos)
...resquícios das coisas ruins dentro,
quais logo serão forâneas.

Vendo novamente aquele semblante débil,
pois, inútil, seria muita palavra para aquele ser,
sinto na goela logo enjoo,
e o impulso de derradeiramente escarrar o resquício.

Creio, que agora o faço,
quase em ato reflexo.

Tiro de minhas entranhas, víscera de outrem.

Ah, fosse eu coisa outra, que não eu,
seria tão fácil.

Como destrinçar algo dentro, pode ser tão complexo?
Erro de método talvez?
Talvez...
...querer perfeição inexistente.

A perfeição está na inexistência!

Mas heis que: do monte de fio enledado,
que outrora ao chão soterrado em lama,
qual segurei uma das pontas fugíveis com toda força, para não perdê-lo de vista,
agora jaz um novelo,
cardado, limpo e alvo.

Hei de tingi-lo, com belas cores, e tecê-lo,
desta feita,
pri-mo-ro-sa-men-te desafeito à perfeição.

Por momentos, olho de modo a tentar enxergar a nova entidade,
este natus-ente,
misto de meia vida de existência,
pela proximidade, ver é impossível,
todavia gosto do cheiro.

Cheira a chá de capim-cidreira defumado e sálvia,
salpicado de tabaco e violão.

Volto a lembrar do semblante ignóbil...
débil também era palavra demais para aquele ser.

Penso,
se apertar mais metafísica dou cabo daquele ser,
e “puff”, passa a inexistir o ser,
e então,
chega-se a perfeição,

tanto o ser,
como o tecido.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O comportamento de um povo

Continuo pensando, (ao contraponto e gosto de uma maioria), que:
"o comportamento de um povo, seria o montante cultural/civilizatório, acumulado através do tempo"

Copiá-lo; impossível!

Adotá-lo; comprometimento!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Se Eu Morresse Amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Álvares de Azevedo

terça-feira, 29 de março de 2011

Seixos Azuis

"De seixos azuis, o rio faz encantos anímicos,
assim como...
alga de cachoeira está sempre despenteada".

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Soneto 96

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe nenhuma idade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Soneto LXVI

Farto de tudo, clamo a paz da morte
Ao ver quem de valor penar em vida
E os mais inúteis com riqueza e sorte
E a fé mais pura triste ao ser traída
E altas honras a quem vale nada
E a virtude virginal prostituída
E a plena perfeição caluniada
E a força, vacilante, enfraquecida
E o déspota calar a voz da arte
E o néscio, feito um sábio, decidindo
E o todo, simples, tido como parte
E o bom a mau patrão servindo
Farto de tudo, penso, parto sem dor
Mas, se partir, deixo só o meu amor

William Shakespeare.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cobertura

Tingir pele, pelo e linguagem,
para obnublar um caráter,
é possível...

Trocar o lugar, o ar e a água,
para obnublar um caráter,
também é possível...

contudo,
não efetivo,
se na bagagem anímica, levas seus vícios.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Mergulho Interno

Às vezes sinto,
quanto estou em meus mergulhos interiores, na procura dos porques,
uma sensação libertadora, de algo que sufoca,
em minhas poesias e devaneios, nunca consegui passar, completamente, este sentir,
mas acabei me deparando com este vídeo que expressa exatamente isso.
aproveitem.
Vídeo AQUI

sábado, 23 de outubro de 2010

"Concrelizar"


A Alma,
precisa de sonho pra se realizar.
O sonho,
precisa de alma pra concretizar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ou

Por vezes...
...muitas delas,
caminho e me perco em pensamentos,
filosofias vagas em minha mente.

Caminhar só,
é trilha sem completude,
onde as ações perdem-se como ondulações num espelho d'água .

Existência é perda?!

Um fato interessante a perda, ou o sentimento dela.

Que mesmo considerando o desapego, por muitos citado como base,
para uma mudança psicológica revolucionária,
e sendo este um grande passo para se evitar dores, ressentimentos,
sobra ainda a pergunta:

"como se desapegar daquilo que lhe traz completude?"

Não seria um revés, que traria a não-existência?

Como livrar-se:
Do ar,
Do brilho matinal nas folhas e orvalhos,
Do canto dos pássaros pela manhã em regozijo, avisando - Ainda estou aqui!
Do cheiro do ente amado.

Neste ponto vou de Krishnamurti,
"Não se trata de aprender o desapego, mas sim de permanecer despertos."

Desperto para o conflito que é gerado dentro de nós,
pois este conflito é o gerador de dor.

Sim ou Não.

A dor não se encontra no sim e no não,
mas no "ou".

O "ou" gera o vazio; a não-existência.

Existir e perder, fazem parte da vida,
assim como,
Encontrar e inexistir.

sábado, 9 de outubro de 2010

Liberdade

Liberdade consiste no "desenvolvimento pleno de todas as faculdades e poderes de cada ser humano, pela educação, pelo treinamento científico, e pela prosperidade material."
M. Bakunin

Não sei bem se o último trecho seria correto nos dias de hoje, eu colocaria desta forma:
"... e pela complementaridade material para execução da Liberdade."

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Coisas não são sempre como parecem,
a primeira aparição engana muitos.
A inteligência de alguns percebe o que foi cuidadosamente escondido. "

terça-feira, 25 de maio de 2010

A Fonte

"Mas quem sou eu para censurar os culpados?
O pior é que é preciso perdoá-los.
É necessário chegar a tal nada que indiferentemente se ame ou não se ame o criminoso que nos mata.
Mas não estou seguro de mim mesmo: preciso perguntar, embora não saiba quem de vós me trucida.
E minha vida, mais forte do que eu, responde que quer porque quer vingança e responde que devo lutar como quem se afoga, mesmo que eu morra depois. Se assim é, que assim seja."
(A hora da estrela, p.81, Clarice Lispector)


"A Fonte"

Neste enxovalho de amores,
apenas sei que amei com toda força que há em meu peito.
Amei por mais trucidado que fosse,
por mais pisado, esmagado e estripado,
por dentre as vísceras sujas ao chão, eu amei.

Me falam de tipos de amor,
um amor para cada tipo de coisa,
um modo de amar para cada momento específico.

Devo ser tolo e ruminante,
só sei amar um tipo e de um modo,
talvez minha ignorância de luzes,
me cegue para o ar que não vejo.

Relembrando agora,
a todos que amei na vida (inclusive os que já se foram),
tenho certeza que amei verdadeiramente ao meu modo,
cada um e cada uma, com toda potência da minha fonte de amor.
É, tenho uma fonte de amor,
antes achava que era um vaso, donde tirava de dentro, conchadas de amor para dar,
mas hoje sei que é uma fonte.

Cuido dela para que não se contamine com coisas que possam poluir,
como sacolinhas de palavras plásticas ou sentimentos de metais pesados.
Mantenho o mato e a mata à sua volta, quase incólume, quase virgem,
só não é virgem, por que dali nasci.

Limpo meus pés e tiro minhas vestes para nela poder tocar, banhar-me.
Imaculada seja sua água.

Uma vez me disseram que se cura um amor com outro,
ou ainda pior, que uma trepada faz esquecer coisas amadas,
quase vomitei de nojo, do pútrido que tentava sujar minha fonte.
Trepar é amar???
Tenho uma gatinha em meu colo neste momento,
denominada "menina" ou "bolinha" ou qualquer coisa que a denomine,
faço carinho e ela retribui ronronando e esticando o pescoço para eu poder fazer carinho no lugar certo que ela deseja,
amo ela,
será que devo trepar com ela por que a amo?

Se tanta coisa pudesse, tanta coisa faria?

Palavras podem realmente matar.

Considerar as coisas, as coisas verdadeiramente,
assim como dizer a verdade,
considero hoje,
também um ato revolucionário,
assim com a autonomia.
(leia-se que autonomia não é individuação)

O que dizer dos fingimentos pútridos,
estes são a ruína da mata,
e consequentemente da fonte.

Mas podem dizer:
- Quem é que não finge vez ou outra por motivos nobres, ou para um bem maior?
Pergunto:
- Que nobreza ou bem verdadeiros podem surgir da mentira?

Ah, deixa pra lá,
não estamos falando aqui de mentira ou verdade,
nem de nobreza ou pobreza,
e sim de amor né?!??? (ironia da mais maquiavélica e desdenhosa)
e todo mundo precisa viver e comer e passear e festejar e ...

puts, creio que me passei, mas vou terminar como comecei,
com a Clarice.

"E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas - mas eu também?!
Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.
Sim."
(A hora da estrela, p.87, Clarice Lispector)

beijos a todos e bom dia (acordei a pouco)!

Edu

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Beijo de Redenção

Capítulo 1 - Verão

Perplexa sob nuvens de rabecas aladas,
e clamores ocos de marimbas golpeadas à sorte,
a Consciência GRITA;

seu grito pálido de querer dentre entusiasmos saltitantes.

Pálido...
...pela parca força, que é a razão própria no mundo.
...pela falsa vontade necessária.
...pela equivocada certeza da eternidade de cada dia.

E passa o tempo...
e o tempo passa...


Capítulo 2 - Outono

Ambíguo,
o Pálido se move, do indefinível razoável ao discernível,
como se movem as dunas,
rápidas e desordenadamente.

E como já não pálido,
sem hálito, o sopro da consciência emana.

Emana, erra e tergiversa, discernível...
...pela força, de que algo ultrapassa o limite.
...pela vontade, que falseia e rumina.
...pela certeza, que não mais se engana,
e vislumbra a possibilidade do efêmero,
neste mundo que dói.


Capítulo 3 - Inverno

E foi-se o tempo...
e o tempo foi-se...

Em seu leito, ora borco ora não,
o primata se olha como uma figura distante num cenário mítico,
e espera a morte,
e espera o Beijo...

Indivíduo e consciência se entreolham com afinco, avidez e compaixão,
se conhecem de longa data e jornada,
não há mais como mentir.

Lampejos claros de estupidezes acometidas pelo Ego:
injúrias, falsidades, mentiras, arrogâncias, deslealdades, despolidezes, infidelidades, imprudências, destemperanças, covardias, injustiças, mesquinharias, descompaixão, ingratidões, sobejos, intolerâncias, vilezas, más-fés, absurdidades...

...desamor...

...impurezas anímicas que dão forma a desvirtude.

(culpar o Ego, é vastidão própria de primata ardil)

Após solilóquio profundo,
sua sede do anverso de tudo para si mesmo,
(último arroubo egoico do primata)

ele crocita seu pedido redentor...

- Um beijo.

Quem quer que esteja:
criança, velho, filho ou filha, enfermeira, faxineiro, trocador de lampadas, médico, parteira, cartomante, guarda carros, o limpador de vidros pendente afora da janela, o moribundo como ele no leito ao lado...

nenhum eco,
nada,
e ele percebe...
...nenhum Beijo de Redenção virá.

Já, em silêncio interno,
sua doce companheira Consciência, não consegue se conter,
e sussurra um beijo em seus ouvidos...

-Morre, ser vil.

domingo, 28 de março de 2010

Fome

Não há nada, nada mesmo...

Um buraco,
vazio e negro.

Nada pode ou consegue preenchê-lo.
Não é?!!

Nem comida, bebida ou droga,
nem mesmo euforia ou sexo.

Podes tentar fazer chacota, hilariar, até mentir pra si e pra outrens.
Mas não pra nós!
Podemos ver dentro.
Podemos ver quão defeituoso e derrotado estais!

Não pode vencer com subterfúgios e sabes.
Mas mesmo assim, continuas em luta com mentiras.

de si,
per si,

Continuas fantasiando.
Não tens fome, porque por dentro,
você já estais...
morto.

Mas há uma solução,
calma, calma,
Clama,
sem esta ansiedade inerente na cara fétida de paisagem.

- último dia - Orgulhoso do que fez na sua vida

Adaptado de Supernatural, The CW.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Espera

Deste lugar volita,
transcendendo o espaço no destempo ...
... deste idioma nonsense.

Os pensamentos ferem,
o dentro em esperança vaga,
alheia de descaso,
quase ocaso de memória.

Se pudesse prever apenas um momento deste futuro indeciso,
alegrias de pulos daria,
daria pulos alegres apenas.

Chega perto o olhar,
e dança,
como se cobrisse de ouro e ternura,
a pele com aroma.

Tece de carinho a face em fios dourados no olhar lânguido.

Dança comigo.

Folha desce em declínio lento,
e consome o caminho oblíquo da razão que vai,
charlando à toa, sua fala turva,
que beira as esquinas virtuais por onde olhas de soslaio,
em réplica digo nada.

Dói,
flama e lacera.
Quer sair de dentro, esta coisa,
divulsionando tecido a tecido, na ideologia própria de escapar.

Brumas de verdade ainda virão em sua mente,
ou talvez em minha ...
turvando com certezas, o límpido que ainda resta.

Na cor celeste refletida no líquido que cai,
curva o olhar dentro e fora.

Olhar...

...Quimera seríamos na antítese da tentativa.

Espera a banda ainda,
com toques de alegria,
trompas encantadas de cores fulgidas,
como tecido recém tingido ocre ao vento luminoso,
e retumbantes espasmos ventrais.

Altiva em sua marcha, chamando em festa o que era.
Assim espera,
caminha ao encontro, que a outra alma ainda sorri.


Correções: Chris Mayer

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

13



Duas pessoas estão exteriormente separadas, porém unidas em seus corações.
Suas posições na vida as mantêm separadas.
Erguem-se, entre elas, muitos obstáculos e impedimentos, causando-lhes tristezas.
Mas elas não permitem que nada as separe e permanecem fiéis uma à outra.
E ainda que a superação desses obstáculos exija grandes lutas,
elas vencerão,
e ao se reencontrarem suas tristezas se transformarão em alegria.
(nove na quinta posição, Hexagrama 13)

"A vida conduz o homem responsável por caminhos tortuosos e mutáveis.
Muitas vezes o curso é bloqueado,
em outras segue desimpedido.
Ora pensamentos sublimes vertem-se livremente em palavras,
ora o pesado fardo da sabedoria deve fechar-se no silêncio.
Mas quando duas pessoas estão unidades no íntimo de seus corações,
podem romper até mesmo a resistência do ferro e do bronze.
E quando duas pessoas se compreendem plenamente no íntimo de seus corações,
suas palavras tornam-se doces e fortes como a fragãncia das orqúideas".
(Comentário de Confúcio)


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

GoldFish Memory

Amar-te, simplesmente,
me basta hoje.
Mas não descansarei
enquanto mão mais talentosa...
não tiver moldado meu barro
para ser mais digno do teu nome.

E se essa mão secreta
não atingir a perfeição...
na roda eterna,
deve o meu amor fortalecer-se na chama...
e dar-me vida, forjado sobre o aço.

Pois quero te amar através...
das eras que céleres passam,
até que se esgotem as areias...
de todas as ampulhetas.

Oh, prometida,
como pude amaldiçoar meu destino...
e passar de sombra a sombra
sem notar os sinais da aurora!

GoldFish Memory, 2003

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

2009/2010

Meu desejo de ano a todos,

meio antiquado, pitagórico e até puído,
mas em mim uma verdade ilógica por si,
como a idéia viva de meu pai (que tanto adorava esta música).
Merece cortesia.

Este ano que passou, foi um mergulho,
como de um alto penhasco, em águas profundas,
e quando atingi a superfície novamente,
procurando um novo ar,
percebi-o velho,
a remoçar dentro de meus pulmões.

Manter as velhas boas idéias, maturando-as, renovando-as internamente,
para nova expressão externa das mesmas,
assim como nesta música,
é uma necessidade e ação individual e coletiva.

Nesta construção, desejo a todos,
um novo velho ar, renovado e amadurecido dentro de cada um.

Edu
2009/2010

(a música do link abaixo, foi um presente de Ivanengs, minha mestra de carinho de longa data)

http://www.youtube.com/watch?v=0AZZ-NUpdXE&feature=related

sábado, 12 de dezembro de 2009

Alma Insalubre

No aconchego do Lar,
a alma falha.

Rebusca sua face de heterônimos falhos.
Lambuzando em orgia, nomes de outrem.

Faz papel de louca,
desdenha.

Implora a sanidade, numa relação insana.

Machuca o próximo, por livre proximidade, além de arbítrio,
amarfanhando a si mesma no processo.

Busca a mentira, na verdade,
torce da verdade, seu talo nascituro,
serpeando sua tez, até não ter mais volta.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Estabilidade versus Lealdade

Boa parte do que há de melhor em nós,
está ligado ao amor de nossa família.

Que arruína a medida de nossa estabilidade.

Por que ela mede nosso sentido de lealdade.

por "Haniel Clark Long"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Idéias, ideais e ideologias...

Idéias matam o amor,

idéias e ideais, podem ser mortos,
assim como homens e seus pensamentos.

domingo, 15 de novembro de 2009

Imortal por Pine

"O que fazemos por nós mesmos morre conosco,
mas o que fazemos pelos outros e pelo mundo,
permanece, e é imortal".

por: Albert Pine

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A natureza essencial da água

A natureza essencial da água gosta de claridade,
mas o cascalho a polui.

A natureza essencial da humanidade gosta de paz,
mas os desejos habituais a danificam.

...

Lao-tzu
Wen-tzu, A Compreensão dos Mistérios, de Lao Tzu

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quero mais vida!

Estamos fracassando.
Fracassando.

A terra e os anjos.

Quem pede pela bênção da ordem, com a vinda do Apocalipse?

Quem pede mais vida...
quando a morte, como uma proteção,
cega os nossos olhos...

ocultando do nervo frágil, mais horror do que se pode suportar?

Que todo ser, para quem a fortuna sorri,
se arraste para a morte...
antes do último, terrível dia raiar...
quando toda a sua devastação,
retornar a vocês.

Quando a manhã raiar em tom rubro
e levar toda vida consigo.

Uma onda de fogo proteico, que circunda o planeta...
e deixa a terra limpa,
feito um osso.

Ainda assim...

Ainda assim...

me abençoe.
Quero mais vida.

Não consigo evitar.

Eu quero.

Vivi tempos tão terríveis...
e tem gente passando por
coisas ainda piores...

mas ainda assim estão vivendo.

Mesmo, quando são mais espírito do que carne...
mais feridas do que pele...

mesmo quando queimados e em agonia...
quando moscas põem ovos nos cantos dos olhos dos seus filhos...
eles vivem.

Geralmente,
a morte tem que levar a vida.

Não sei se isso é só animal.

Não sei se não é mais corajoso morrer,
mas reconheço o hábito.

O vício de estar vivo.

Nós vivemos para além da esperança.

Se eu puder achar esperança em algum lugar,
já está bom.

É o melhor que posso fazer.
E é tão pouco. É tão inadequado.

Mesmo assim...
me abençoe.

Quero mais vida.


Angels in america, "Tony Kushner"

Como as Pessoas Mudam?

"Bem, tem alguma coisa a ver com Deus,

então, não é muito agradável.
Deus rasga a pele com uma unha denteada,
da garganta a barriga.

E aí enfia uma mão imensa e suja lá dentro.

Ele agarra os seus canos sangrentos...
e você desliza pra escapar,
mas ele agarra firme.

Ele insiste.

Ele puxa, puxa...
até que todas as suas vísceras sejam arrancadas pra fora.

E a dor...

Nem consigo falar sobre isso...

E aí Ele enfia de volta...
sujas, enroscadas...
rotas.

Cabe a você dar os pontos.

Levante,
caminhe.

Somente vísceras destroçadas fingindo."

Angels in america, "Tony Kushner"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

gente, ente, entre, entes, sociedade

enquanto existir a humanidade... amor incondicional ao ser humano
sociedade baseada no amor humanitário
fazer viver a pessoa humana
vivificar a pessoa

o manifesto da pessoa - temporal, condicional, espacial
o imanifesto - está dentro, lá...
os meus sensores só captam a emissão
o aparente, é a consequencia, natural
olhar a pessoa em si
o que está antes
na ente em si
vivificar
amar

a sociedade que ama
a sociedade que faz viver a pessoa
a sociedade que faz pessoa feliz
as instituições e estruturas para tal

estrada larga
o caminho da pessoa
cada qual com seu sabor
as estradas com indicativos claros
tem que ter os canteiros floridos
pessoas caminham livremente

construir de fato
estabelecer de fato
com pessoas perto um do outro
pessoas vivificando pessoas
entre entes vivos
a sociedade que vivifica a pessoa humana
a sociedade que cultiva a humanidade (a natureza humana)

sábado, 24 de outubro de 2009

Lágrimas em Chuva

Ignorante de luzes,

tal qual uma cega pode estar.

Tateio minha solidão,
buscando discernir entre o bem e o mal,
assim como luz de sobra,
e sardas em face desconhecida de vulto amigo.

Tateio minha ignorância de luz,
procurando ocultar o fato,
procurando fazê-los compreender,
que vejo-os.
Para que não me vejam, assim tão desesperada,
a ponto de me abandonarem na escuridão do desprezo e desrespeito.

Procuro aos ventos,
sem vê-los,
apenas sego o farfalhar, com minhas vistas quase mortas.

São rudes suas ações,
assim como rudes seus olhares,
quais não vejo.

Por vezes tenho vontade de gritar,
embora cega,
posso chorar ainda.

Na busca de mim mesma,
ou do retorno à mim mesma,
procuro curandeiros, qual possam me trazer luzes ainda,
luzes de distinção e de alma.

Nesta jornada restante de vida.

Desejo ter desejo,
desejo ser desejada,
desejo ver sorriso e tristeza,
desejo voltar a sentir além do que posso agora,
desejo ver.

Não importando se a percepção do mundo,
possa vir de forma diversa a que aprendi outrora.
Não importa...
...apenas...
...desejo sentir a luz além da pele,
desejo sentir a luz com meus olhos,
mesmo que o espectro seja ínfimo,
ainda assim, desejo.

Sentir as dores da luz,
e da sombra.

Num curandeiro me postulo,
ele foi o instrumento meu de cura.

Ao desvendar,
revelar o que me cobre a ignorância,
sento as dores, que quero sentir,
embora não masoquista,
adorei.

Saio ao passo bambo,
insegura como neonata.
E vejo luzes, num arco-íris doloroso,
mas vejo.

Lá fora, chuva a cair,
preparando meu rebatismo em água cristalina e límpida,
vou.
Permito-me ir.
Como poderia ser diferente?!

Deixo as gotas caírem sobre meus novos olhos,
sem medo,
misturam-se às lágrimas,
vislumbro a distorção das imagens agora claras e definidas,

definidas distorções,
deixando desvelar o mundo há tanto informe,
belas, novas e definidas distorções.

Sorrio.

Sentir e perceber,
conscientemente,
vale a pena.

O que quer que seja,
que eu perceba ou veja,
responsavelmente,
vale,
desde que seja, novamente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quo Vadis?

Por onde andas, ó viandante deste mundo lúgubre e esquecido de Deus?

Às quimeras?
Oh, estas, mais sábias, já se foram, precavidamente, antes que a tormenta que se avizinha as puzesse a correr cobertas por humilhante derrota e vergonha.
Sim, agora estamos sós.
Nada mais resta que o pranto largado a confessar aquilo que nunca foi dito por voz alguma,
nem escrito pela pena dos mais insanos poetas desconhecidos.

A estes se erga o monumento último esculpido pelo descuido,
este Deus da distração dos momentos intangíveis,
que nos embalam com cantares de um porvir de há muito ultrapassado,
em perfumes desvanecidos pela brisa cruel de um tardio amanhecer borrado pelas lágrimas dos justos.

E ...
o destino...
ora, direis...

o destino...
mera consequência daquilo que não estava por fazer,
necessariamente, enquanto tímido, fátuo e polimorfo.
As retas paralelas não se encontram no infinito mas no papel sobre o qual se debruça o desenhista das utopias,
que se fundem no cadinho das controvérsias abafadas pelo clamor dos enjeitados.
Água benta, é disto que precisamos, urgentemente.

Alemão (vulgo: Carlos Holst)

sábado, 5 de setembro de 2009

Ao encontro de Sí

Em uma batalha para proteger nosso futuro,
devemos confrontar nosso passado.

As mentiras que contamos,
as decisões que tomamos,
as pessoas que amamos.

Enquanto o esforço para sobreviermos continua,
não podemos confrontar nossos inimigos,
enquanto não encararmos a nós mesmos.

"Battlestar Galactica 2003"

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Com-Prometer-Se

Comprometimento,
é abrir, os olhos e a alma,
à realidade da vida e do mundo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pré-conceito

Não é uma questão de escolha,
mas sim,
um desrespeito.

Posso...
não gostar,
desgostar,
não querer,
até não conceber,
mas...

Quando é que é desrespeito?

Não seria, quando forço minha idéia a outréns?!

Mas onde está o pacto, qual eu desrespeito?

Nas leis?
Nas normas?
Na química?
Ou na moral cultural de cada povo?!

Posso desenvolver então uma frase:

"Estou sendo preconceituoso, quando imponho meu ideal ao outro."

Mas como posso me relacionar com um outro,
se os ideais,
não são todos iguais e,
não aceito o que o outro é ou está?

Talvez o caminho seja,
considerá-lo (o outro),
considerar que ele, ela ou aquilo,
seja para mim e vice-versa,
não um suplemento,
mas um complemento.

Só assim então,
seremos juntos,
algo além da soma.

Uma terça parte maior que o todo.

E então,
só então (talvez),
sejamos indivíduos, que respeitem e considerem o outro,
pelo que podemos fazer juntos,
somados,
e não pelo que o outro pode fazer por mim,
ou o que obterei estando junto ao outro.

Sempre, podendo dizer não querer ou aceitar,
se de fato não sou nem é um complemento.

Creio assim,
poderemos observar à distância...
o Pré-conceito.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Oferecimento (Junho de 2005)

Aos meus pais, Carlos (em memória) e Maria.

Mas especialmente ao meu pai, por sua dedicação ao meu ensino e minha educação, por ter tantas vezes lutado e relutado quando eu queria sair para a vida, por ser minha consciência, meu talismã, minha estrela guia, que ainda hoje norteia meus passos mesmo estando longe.

Sim, é a ti meu pai que dedico este trabalho, por tantas vezes ter sido meu porto seguro e minha sabedoria. Por ter me ensinado, que estudar é o melhor caminho, por ter me dito tantas e tantas vezes para ser o que tu não foste.

Perdão, se em minha rebeldia juvenil segui seus conselhos tortuosamente e me vesti de tolo orgulho ao fazer-te errado e hoje sinto em meu íntimo que estavas certo.

Rogo, para que onde estejas, veja que me esforço para seguir os princípios , quais me ensinaste, rogo para que andes ao meu lado como um anjo qual sempre o foi e que continues a me guiar por estas trilhas ainda tortuosas quais sigo, prossigo e insisto com tanta veemência. Contudo é meu sonho, meu ideal, e quero que saibas, que desta feita tenho mais de ti em mim.

Vou gemebundo e borco, mas sigo mais este caminho, como que o primeiro dentre muitos e com a certeza de sua força e presença.

Perdoe meus tropeços em minha tarefa como primogênito, nunca fui bom nesta.

Quando tinhas minha idade, já eras pai de quatro e ostentava uma postura de retidão de caráter, qual talvez nunca tenha, todavia farei o melhor de mim.

Sim meu pai, é a ti que dedico este trabalho, embora parco para uma consagração, será a primeira de muitas daquele que lhe ama.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Frio

Hoje o Frio bateu em minha porta,

será ele ou ela?

Senti o distanciamento...

...de seu calor,
...de seu olhar,
...de suas palavras,

e náuseas do odor de seu medo.

Embora possa percebê-lo,
por reconhecer o seu padrão de ser,
ele não está em mim.

Olho-o nos olhos.

Procuro compreender, o porque ele é ou está assim,
distante em seu calor,
mas logo percebo que é apenas seu modo de agir,
embora não seja o único modo,
pois ele conhece outros modos,
o faz,
por apenas perceber para si, este,
como único modo verdadeiro de trilhar.

Não cabe a mim,
(neste momento),
evidenciar-lhe outros modos, por este ou outro caminho.

Não fui arguido para isto.

Em nossas buscas, trilhamos caminhos diferentes,
para chegar a um lugar especial para nós mesmos,
porém comum,
e nos debruçamos em questionamentos diversos,
do porque,
este, ou outros caminhos, não deram certo,
perguntamo-nos porque não chegamos lá.

E a resposta é simples, neste mar de simplicidades relativas.

O modo de trilhar é a chave da resposta.

Hei-lo, o Frio,
qual me fita de soslaio,

Ressabiado,
por olhá-lo com calma sem medo.

Furtivo nas palavras ditas e não ditas, que se lhe mostram.

Incapaz de compreender o quanto é mortal e também vulnerável.

Olho suas capacidades,
sua força, sua debilidade.

Chego bem perto de sua alma e lá encontro sua dualidade.

Dualidade de existência,
da não compreensão de sua própria jornada,
das ramificações de suas escolhas,
e do trato indelicado de seu verbo,
e seu não verbo.

Pergunto-me,
qual será a verdade mesmo.

Mas neste ínterim,
percebo minha própria expectativa,
e não devo nutrir nenhuma expectativa para com o Frio,
pois ele apenas o é,
enquanto não se descobrir,
enquanto não descobrir dentro de si a chama,
enquanto não descobrir a complementaridade das coisas.

Posso envolve-lo, aquecê-lo,
e derreter sua capa, até que apareça,
a chama,
mas ele não verá esta,
pois o mesmo, não mais existirá para poder vê-la.

Não é uma questão de ver apenas, mas senti-la,
Assim como sinto e vejo em minh'alma, o frio em mim.
E por sentir,
faço de minha existência uma tentativa de aquecer,
a tudo que há de frio em minha volta.

Tentando não me exceder no calor.

Como posso fazê-lo perceber?

Talvez não mostrando,
talvez dizendo que o sei,
talvez arreganhando meu peito e mostrando o que há dentro de mim,
talvez eu,
inexistindo.

Talvez ...

Eu compreendo a necessidade da temperança de meus atos.
Fazendo o melhor que posso,
para também não permitir-me congelar, por falta de calor,
nem tão pouco, matar o frio em mim,
pelo excesso.

Pois não sou dual, sou múltiplo.
Compreendo em mim a multiplicidade,
Sou frio, calor, terra, água, céu e abismo.

Como posso mostrar, que a complementaridade é a chave da existência.

Mostrar que...
apenas unidas,
todas as oposições ou complementaridades,
passam, a ser e estar.

Só posso dizer,
que estou aqui como complemento,
a quem quiser estar e ser junto,
compreendendo os momentos.

Olho-o novamente nos olhos.

Agora tépido,
com ternura,
calafrios de insatisfação tentam me cegar,
novamente,
a expectativa.

Saiba você Frio,
que não mais tenho ganas de lhe ensinar,
tu sabes, o que deves fazer,
e como.

Te espero ano a ano,
momento a momento,
até a eternidade da inexistência.

Só a ti, cabe agora o fardo da tentativa,
não mais a mim.

Nesta porta só encontrarás,
novas certezas e novas dúvidas,
não mais as antigas.

E se dela precisares e arguires,
então obterá suas respostas.

De nossa fusão,
há a possibilidade do maleável surgir,
e com ele,
novas possibilidades.

sábado, 18 de abril de 2009

"Olhar de Rã" (a minha sobrinha Lorena)

Em dia de chuva,
lá onde a gota ajoelha na janela,
os olhos da rã riam pra mim,
me diziam, que quando o mundo turva,
e nosso olhar se embarga,
devemos pensar no amor de nosso pai e mãe,
daquele jeito assim,
com muito carinho e sorriso,
verás então, que o mundo agora brilha,
bem longe deste céu ruim,
onde o mar assobia,
e o cheiro é bem melhor enfim.

domingo, 12 de abril de 2009

... Os sorrisos

Hoje,
Vi a imagem do sorriso abraçado,
Da vida que se fez regozija pelo fato de estar juntos...
... Os sorrisos.
Perfeição na forma informe,
De braços que se abraçam,
De corpos congelados unidos pelo pictórico,
Sem dos terços terem como regra, mas sim a feição plana e feliz.

Onde ou quando se perdeu esta feição?
Onde estará a regra dos terços da felicidade?

Hoje sei,
Que mora na alma a regra.
E a feição se perdera nos medos.

Mas mesmo assim,
Ahhh, feliz,
Feliz de quem pode ter esta imagem congelada,
E ver estes sorrisos abraçados, inda que numa lembrança vaga.

Sempre há o perdão,
Mas perdão não é esquecimento,
E sim clareza de pensamento,
Compreensão.

É, hoje sei...

Que bom, que sei.

Pois me possibilita a redenção.
Me possibilita,
Fragmentar, atomizar os restos daquilo que quebrou,
Para reunir com a flama,
Remoldar uma nova e diferente peça rara,
De elementos tão distintos, porém complementares,
Para novamente preenchê-lo de bom conteúdo,

E novamente unir em abraços e congelar...
... Os sorrisos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Re-Sentir

Hoje,
o nó em minha garganta escapa-me por entre os dedos.

Sinto, como se algo em mim, estivesse se apagando,
lentamente.

O aperto no peito, já não mais aperta de perto,
não mais aqui, mas ali.

Vejo fotos,
busco...

Nem vontade, nem desdém,
quase desapego,
mas não indiferença.

Tenho a sorte (ou má sorte) de ter lembranças vívidas,
uma magia própria de mim, para mim.
Um dom de reviver a emoção de outrora, no agora...
... Re-Sentir.

Magnífico poder.

Subjacente, vejo o futuro,
incerto como tudo mais,
quase claustrofóbico,
como a indefinição do ponto de fuga num quadro.

Oráculos me dizem coisas,
internas,
externas,
mas no fundo, no fundo...
...tudo depende de tudo,
e basta agir, para ajudar as moiras em sua obra.

Restam-me lembranças,
das quais, deixarei apenas as boas,
pois em realidade,
só estas importam.

Chega de sombras.
Bem vinda a luz.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Algo Vem!

Sinto cheiro de pão recém assado,
vindo do fogão a lenha,
lá afora.

Saio,
sinto outro cheiro,
um cheiro bom e refrescante nestas noites mornas,
cheiro de mar,
~preciso ver o mar numa noite dessas~

Olho o céu,
as nuvens estão me olhando estranhas no momento,
belas,
em um céu pedrento misto a um mural negro,
algo virá.

Na vira do pão,
manobrando assar ambos os lados,
me queimo no metal quente, que suporta as dores do pão.

Ele revida em mim seu castigo de existência.

Atiço a brasa,
deixo borca a lenha,
e novos estalidos surgem do rubro,
e flameja num átimo.

No retorno ao meu ermo,
olho o céu novamente,
e solto propositadamente,
todo o cheiro de lenha de meus pulmões e narinas,
e inspiro novo ar marinho,
numa mistura de prazer juvenil,
ao maturo da efemeridade cotidiana.

Nenhum grupo de grãos de areia debaixo de meus pés é o mesmo de ontem,
nem será o mesmo amanhã.

Desde ontem, tenho algo em mim plácido,
algo em mim terno,
maternal,
que faz-me fitar o destino diferente.

Repenso incessantemente meus dias,
minha existência,
creio que algo vem ao encontro,
e temo.

Temo minha mudança,
minha reavaliação vital,
mas...
O que temer?
Porque temer?

As quadraturas já não mais me assustam,
nem os trígonos não mais me acalentam.

Algo vem,
assim como o cheiro,
algo em mim, vem novamente...

...estou pronto.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Bem vindo MMIX

De detrimentos e proveitos se fez o ano.
Na busca, deparei com toda rusga cometida por mim, ao largo da peleja de minha meia existência.

Sabendo a retidão do caminho, e que os desvios abrem um vazio dentro.
Qual podemos preencher com qualquer tipo e quantidade de justificativas,
pois nele, o vazio, é proporcional ao desvio.

Só restam pois:
Enfrentar, não esconder ou desviar,
Ponderar, não apenas argüir ou contraditar,
Compreender, não enraivecer ou postergar,
Comprometer-se, não individualizar,
Perdoar a si, mas não auto-indulgência.

Só resta, Redenção.
Só resta, União.

É desse caráter de atitudes, que pede o Ano que chega.

Seja bem vindo 2009.
Seja bem vindo 4707.
Seja bem vindo 5111.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Recuperare

Hoje me fiz sóbrio,
e me vi sombrio.

Me fiz livre e perfumado de essência de maracujá;
verdejei-me de manhãs, como a tempos não fazia,
e saí.

Saí ao passo de estar certo de que renascia em mim algo,
tão lúdico em mim, destemendo a chuva que caía em cântaros largos,
ou quiçá almudes.

Aludi terno ao meu centro,
leve para não deixar rastro da alusão,
ou pela ignorância dela.

Pensei que estava pronto,
a ponto de Estar.
Como laço, que amarra cercas de bambus duplos e maduros,
firme sem temer que murchassem os talos e eu me fizesse solto.

Fiz de mim sóbrio,
Fiz de mim adicto,
Fiz de mim um asno.

Deparei-me com a verdade de mim,
também sóbria, e forte.
Também adicta de mim, em mim;
interna verdade.

Me fiz preso e putre de essência de sangue;
enrubesci-me de ocasos, como a tempos não fazia,
e fiquei.

Entrei em descompasso, de estar errado de que renascia em mim algo,
tão iludido em mim, temendo a chuva que já não caía em cântaros largos,
quiçá dedais.

Incitei violento de meu centro,
pesado para deixar rastro na alusão,
ou pela ignorância da existência dela.

Vi que não estava pronto,
a ponto de Estar.
Como laço, que amarra cercas de bambus duplos e verdes,
amoleci entre as pernas temendo,
e murchei aos talos e me fiz solto.


Fiz de mim embriagado,
Fiz de mim dependente,
Fiz de mim, ainda amante,
sem o amor amado.

Fiz de mim um doente,
ainda apaixonado.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Medo - O passageiro da escuridão

E não estou muito certo do que sou.
Só sei que existe algo sombrio em mim.
E escondo.
E certamente não falo sobre.
Mas está lá.
Sempre.
Esse passageiro sombrio.

Quando ele está dirigindo
eu me sinto...
vivo.
Meio mal, por ter essa sensação de estar totalmente errado.
Não luto contra ele.
Não quero.
É tudo o que tenho.
Nada mais poderia me amar.
Nem eu mesmo.
Ou é só uma mentira que o passageiro da escuridão me conta?
Pois existem momentos ultimamente,
em que sinto...
conectado a algo mais,
alguém.
É como...
se a máscara caísse.
E coisas,
pessoas,
que nunca tiveram importância
passam a ter.
Isso me assusta muito.

Melissa Rosenberg - Dexter - S2E3

sábado, 18 de outubro de 2008

Tempo de permitir-se

Sempre nos disseram que ainda somos jovens,
que ainda há tempo.
Que temos todo tempo do mundo.

Começam nos dizendo, quando ainda pequeninos,
talvez, por que tenhamos realmente enquanto crianças,
mas continuam nos dizendo quando jovens,
e depois ainda quando adultos.

Contudo isto não é uma verdade absoluta,
pelo menos não em parte.

Crescemos acreditando nesta meia-verdade,
acreditando e repetindo-a pra nós mesmos,
durante a eternidade de nossos dias.

Repetindo aos outros, que como nós,
precisam de um conforto,
pra suas auto indulgências.

Compromisso não tem prazo de validade.
Comprometermo-nos conosco é uma verdade.

O tempo não pára pra termos tempo.
E tão pouco o tempo dá tempo ao nosso tempo.

Somos vítimas de uma construção ardil de nosso tempo.
Construção da mecânica mercantilista do capital pelo capital.
Do capital pelo amor, do capital pelo tempo.

A verdade é,
que não temos tempo,
não há tempo a perder ou a ganhar,
só há o tempo,
precioso e nosso.

Tempo de permitir-se:
chorar,
brincar,
crescer,
chorar,
aprender,
unir,
amar,
ser amado,
chorar,
comprometermo-nos,
ter filhos,
perdê-los,
crescer,
aprender,
amadurecer,
chorar,
acompanhar,
envelhecer,
morrer,
chorar.

não permitamo-nos ceder nosso tempo,
em prol do tempo de outrem,
vendemos nosso tempo,
somos logrados em nosso tempo.
Não há verdade nisso,
pois não seremos mais jovens,
e nosso capital não logra mais tempo pra gente,
pois o tempo é único,
como barco de apenas uma ida,
sem retorno.

Não passará por estas paragens novamente,
o timoneiro só tem um percurso,
ou estamos dentro ou fora do bote.

É tempo de permitir-se!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Long Nights (tradução)

Não tenho medo
Para quando eu estiver sozinho
Eu estarei numa situação melhor do que antes

Eu tenho essa luz
Eu irei em busca de crescimento
Quem eu era antes
Eu não posso lembrar

Longas noites permitam-me sentir...
Estou caindo ... Estou caindo
As luzes se apagam
Permitam-me sentir
Estou caindo
Estou caindo seguro ao chão
Ah ...

Vou aproveitar esta alma, que está dentro de mim agora
Tal como um novo amigo
Eu sempre saberei

Eu tenho essa luz
E a vontade de mostrar
Serei sempre melhor do que antes

Longas noites permitam - me sentir ...
Estou caindo ... Estou caindo
As luzes se apagam
Permitam-me sentir
Estou caindo
Estou caindo seguro ao chão
Ah ...

Long Nights
Eddie Vedder

sábado, 9 de agosto de 2008

Poétrica

Poetrica
espaço desavassalado
como na topoanálise do canto, por Gaston Bachelard
a liberdade se poe e se opõe ao canto onde nascem e morrem as coisas
“onde há duas paredes e duas portas”
duplamente reverberam ...
pensamentos
sombras
olhares
cheiros
e onde também ultimam
os nós
os desdens
as perversões
e ocasos de pompas

eis o que subtrai de mim
o que remove em mim
per si, como coisa lambuzada de odores

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Inocência

O que é a inocência...
senão a verdade pura, incólume.

Antagonismo da desesperança.

Quando quebrada, nada sobra, nem cacos a se unir novamente.

Tudo de mais precioso que tenho é a inocência.
Como posso então, abdicá-la por qualquer coisa neste mundo?
Se é por ela, que seiva o caminho da esperança.

Nenhum valor deve se sobrepor a outro, causando mágoa,
e este seria o início da reversão do caminho do que é correto.

E se concordássemos em nunca retornar da inocência.
O que adviria desta escolha?
Como poderíamos desestimular esta idéia?
Como poderíamos abandonar às chagas, o belo.

Se for para a conduta correta prevalecer,
Como podemos crer então,
Na falácia, de que um bem pode ser melhor que outro.

Nada quantifica,
Nada qualifica.

Algo melhor predispõe a idéia de algo pior.

Ao olharmo-nos nos olhos, verdadeiramente.
Podemos observar, a verdade pura,
Por mais obnublada que esteja, pelo véu da insanidade da escolha.

Não suportando a verdade pura,
Colocamos tudo de mais precioso a perder,
O que pretendemos então com o não suportar?
Viver para sempre?

A quem enganamos senão a todos a nossa volta e a nós mesmos?!!

Quando escolho a mim (por instrução de de uma livro, outrem ou por mim mesmo)
Levo-me a um super-falso-amor-próprio,
Um Ego mega atrofiado...

..."des...envolver"...

..."des...unir"...

O que, ou quem paga "meus direitos" as minhas regalias?

Em que ou quem, se apóia minha pseudo realidade?

Onde está nosso futuro e a continuação de nosso modo de vida?
Senão nos filhos e crianças que criamos,
Senão nos filhos e crianças que vemos serem criados,
Senão nos filhos e crianças que deixamos de ser, com nossa perda voluntária da inocência.

Espero viver uma vida de abnegação pela inocência.

Se nada quantifica, qualifica ou justifica,
Seria possível, ou se deveria então,
Perder este bem mais precioso por ele mesmo?
Perpetuar a inocência pela inocência?

Enfim,
Se é o amor que move, tudo aquilos que conhecemos,
abdico então meu bem mais precioso...
...a inocência,
pelo amor.

Pois hoje sei,
que é dele que nasce a inocência.

sábado, 22 de março de 2008

6º Sentido

"Algo dentro de ti diz que vc está errado,
no momento exato, vc sabe, que não deve fazer,
mas faz, mesmo assim.
Acredite nessa voz, ela é sua consciência
seu 6º sentido, dizendo o que é correto para sua alma.
Caso vc continue sem escutá-la,
somente abrirá mais e mais o vazio dentro de ti
e ficará cada vez mais difícil voltar ao caminho do que é correto.
E sua mente buscará desculpas e mais desculpas para justificar o erro.
Cuidado, vc está sendo enganado por seu ego".

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A vida num Átimo

Perplexo, o dia se fez cansado.
A espera de uma ventosidade fresca, uma brisa, uma aragem...
As folhas suspiram farfalhos.
Lesma, anépta a casco, não se arrisca a sair do limbo-doce-limbo.
E chega, chega a aragem.
Como quem chega manso, pé-ante-pé.
As folhas já não suspiram farfalhos.
Gritam-nos,
Folhas derradeiras do bananal,
Agitam-se como bandeirolas, saldando o espírito da suavidade que chega e penetra.
Se fez então, o dia, fresco,
Não mais cansado, mas estimulado,
Estimulando o mover, o ir, o fazer.
Exaltando canções de alegria, pela anunciação que se chega.
Virá, virá colossal e mudará o ver.
Mudará também o sentir entre tremor e alegria.
Trará frescor e introspecção.
E com a introspecção também virá o saber.
O regozijo comunal do semear e colher.
O regozijo do debulhar, do moer e cozir comunais.
veio, cá está furioso e torrencial,
Como a fúria de um Deus ou Deusa que é.
Introspectos, todos os seres esperam.
Seu passar renovante, revitalizante.
Trazendo do intangível ao tangível a prosperidade,
que tudo altera.
A introspecção move o pensar do coração,
ao porvir, e lá, no porvir,
Haverá reunião.
E dela, nascerão novos sentimentos,
pois o reunir-se é para se aquecer,
o reunir é para fazer feliz e semeante
de idéias e filosofias,
de moral e costumes.
Formando o caráter da renovação.
Da alegria, do sorriso, do espreguiçar.
Mas os seres solenes, o reverenciam,
por sua benção;
Assim como um Deus ou Deusa que é.
Provimentos feitos, agora o reunir,
solene e sereno como qualquer amistosidade.
O reunir divaga sobre
e ao lado do Fogo.
Tribal e mágico, com alegria e de preferência sem euforia,
pois não lhe cabe.
Talvez melancolia, mas não do grego "bile-negra",
e sim de de mel "melancus", excesso de doce;
Talvez alegre , como doce equilibrado como deve ser.
Talvez ainda, cortês e cortejante como o princípio.
A espera novamente do dia mas velho que a noite.
A espera novamente das cores e dos cheiros.
A espera do que surgirá manso,
mas com cuidados e olhares.
Do que surgirá cuidado e amado.
Replicando a vida incessante.
Então o mais sábio dos Deuses ou Deusas,
se faz perceber.
O perene, o imperecível, o desvanecer, o débil e o perecível.
São fatos como o desabrochar para depois morrer.
Então...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Senti(n)do Vil.

Sentimento estranho este,
Passam-se horas e horas e nada passa,
Fica
Oras, porque?
Será que ainda não estou curado?
Será que não está em mim a cura e estou tentando em vão?
Se mentir é um desvio gravíssimo de conduta e caráter,
O que é mentir pra si mesmo?
O que é não saber se está a mentir pra si mesmo ou apenas fazendo de conta?
Busco em mim, mas que um sentido.
Busco navegar em meus pensamentos chulos e por muitas vezes torpes,
Numa forma de tê-los não crassos a mim mesmo.
Numa forma de não dispô-los, como a mim mesmo, aos outros.
Seguindo a retidão de caráter a tanto falaciada e falecida na comunidade.
Esta retidão que minh'alma pede que exista pelo menos em mínima abundância.
Agora acho você e sei.
Me digas, onde está o sentido disso tudo?
Me digas que sou comum e que me engano por que quero,
Me diga agora que sou um indivíduo falaz,
E então poderei dizer-te,
Que tu é que mentes e que queres me arrastar em sua lama,
Que tu é que me exorta e ao mundo para ser vil,
Que tu é que minas o ser humano, de sua beleza inata.
Vai, indivíduo putre,
Ser vil e ignóbil da raça humana,
Vai, procurar um sentido a sua existência e por fim se mate.
Pois só assim terás sua existência exímio sucesso.
Vá!

Passa(n)do Saudade

Por onde começa e termina a saudade?
Um amigo meu de longa data (Napa - "vulgo" Alberto Sifu Ranieri)
escreveu em lousa: "Calçadas pisadas por amigos meus" - 1988,
foi num devaneio pelo qual ele passava naquele exato instante, ao se deparar com o futuro incerto
onde ele mesmo se via passando pela mesma calçada anos luz no futuro.
Napa, napa, sempre teve alma velha. em sua loucura momentânea ele viu por onde,
e escreveu seu prognóstico de vida e da saudade,
que já arrebatava futura, em seu coração.
Ao cruzar com ele, neste mesmo instante, olho a frase escrita e sou transportado na mesma máquina do tempo que ele.
e me envergonho também da saudade e do pecado ainda não feito.
deixei de procurá-lo, não por ser "pecador", mas pela vergonha de nada ser em troca,
pois sou assim, vivo de saudade e de procura.

beijo meu amigo, saudade de sua gargalhada contagiante e de suas imitações de John Wayne.