segunda-feira, 6 de março de 2017

Dai-me novamente o canto




Há tempos que percebo,

...sinto.

Uma uma força opressora no peito,
como se algo quisesse irromper as barreiras desta veste carnal,
algo da alma.

Necessita sair,
em uma bela veste nua,
como um canto,
como um amor,
isenta de dores e dissabores.

Percebo também,
que, não quer sair por si e para si...

Necessita de outras almas,
a puxarem, com força,
que a abduzam das entranhas desta veste déspota.

Desejo de pegar um instrumento musical novamente,
e cantar, e tocar, e cantar e compor,
harpar melodias animosas.

Brincar junto com outras almas,
que saibam brincar juntas também.

Entretanto percebo,
não haver almas a visitar esta alma.

Que mesmo que urre,
não há outra alma a querer escutar,
não há outra parcela divina solitária,
que queira se unir a cantar.

É como se as almas desta idade, estivessem caladas,
sem querências, sem vontades.

Ah, doce Deus,
que me eleva de tantas formas,
ajudai este ente que clama,
por outras almas a recrear.

Vivo num mundo só,
ou só num mundo,
onde as almas não volitam a visitar umas as outras,
estão cansadas ou com outras importâncias.

Rogo-te Dê-me almas novas,
repletas de ganas de querências,
de iniciativas de cantilenas,
pois havemos de compor lindas melodias,
e em calores de fogueiras,
iremos chorar juntas,
cantar juntas,
amar juntas agraciando a vida.

Será que neste mundo, nesta idade,
o que sobra são apenas prosas monetárias e o desassossego da tristeza,
o que é a tristeza senão o resultado da falta.

Ceie comigo,
farei-te um alimento,
salgado ou doce,
como queira o seu desejo.

E quiçá,
em tempo hábil,
haverá brotamentos de almas,
almas infantas,
onde os cantos chegarem,
possa eu nesta vida,
ainda ter mais motivos pra sorrir,
mais motivos pra viver.




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