segunda-feira, 20 de março de 2017

No pé da araucária.


Bem no pé da araucária,
que plantei no colégio Colégio Agrícola de Pinhal.

Estou eu.

 (E parte do meu espírito)

Semente dada pelo meu avô Mario Formenti,
Brotada numa latinha de atum, perto do rancho da casa dele,
logo ao lado do fogão a lenha, mas ao lado de fora,
numa das prateleiras de concreto, das plantas de minha avó Palmira.

Foi um dia de viajem com a semente brotada na mochila. 
Enroladinha em tecido úmido.

Mais duas semanas dentro de um vasinho de pote de iogurte,
pendurado no beliche, por fios de barbante em algodão cru.

E depois plantada ali, com muito cuidado,
e sendo cuidada por todos,
a mando e a pedido,
mas que mando como esse não seria executado?

Quando fui-me do colégio,
deixei ao encargo do "Pai", (apelido de Sandro, outro aluno de ano posterior),

O encargo era o seguinte:

"que cada responsável que se formasse, deixa-se um outro em seu lugar,
pra sempre..."

não sei se o sempre ainda é executado...
creio que não, pois a escola ficou fechada um tempo e sem alunos, por um tanto.


Mas lá está ela,
espero que a lei e o bom senso a conserve.

Já tem 29 anos.


Quando a revi em 2015 (data da foto),
cheguei perto e conversei com ela.

Me reaproximei devagarinho,
ela nem lembrava mais de mim.

Mas logo se recordou,
não sem um pouco de prosa e olhares e tatos.

Demos um abraço,
e fiquei ali um pouco,
contando o que se passou neste intertempo.

Pra finalizar,
me despedi.

Dizendo a ela que ela provavelmente vai viver mais que eu,
e que rezo por isso.

E que eu a amo muito.
quiçá nos veremos novamente.

Tudo tem uma história.
E todos deixam sua história no mundo.
Cada qual escolhe, qual deixar.




3 comentários:

Regina Santos disse...

Muito legal Edu !!

Anônimo disse...

Edu, só uma alma livre como a tua, teria essa
responsabilidade de fincar raízes.
Sim, na escola primária, mesmo morando no interior e rodeados por muitas árvores, nós as reverenciavamos disputando entre os colegas, quem ajudaria a professora a plantar aquela mudinha da qual tomaramos conta até chegar o glorioso dia de enterrar suas frágeis raíses até que se firmassem.

Marli Madura disse...

Edu querido,
Me senti no lugar e dia do plantio da Araucária. Emoção pura, viajei.
Senti uma saudade imensa de um grande Caquizeiro que havia no fundo do terreno da casa onde
eu nasci. Me criei com ela, de tronco grande de circunferência, comparado ao meu tamanho, e até a adolescência eu subia até a copa e não era pra pegar fruta, era pra me acomodar em seus galhos e viajar em devaneios. Sinto o cheiro dos galhos, da relva no chão rodeando minha amiga, as vezes, pequeninas flores brotavam e eu admirava...
Que será que foi feito dela?